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2 de março de 2018

AgriFutura: tecnologias de produção voltadas ao agricultor paulista

O AgriFutura, evento organizado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, será realizado em 3 e 4 de março, no Instituto Biológico, na capital paulista, e tem o objetivo de apresentar as tecnologias mais recentes voltadas ao setor agropecuário.

Destinada a produtores rurais, técnicos agrícolas, empresários do ramo, universitários e demais interessados, a feira tem entrada gratuita e contará, inicialmente, com 20 palestras, 24 startups, 14 exposições de inovação e 14 ações inovadoras e de pesquisa.

A Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), órgão de extensão rural da pasta, apresentará o estande com equipamentos usados pelas equipes e tecnologias de produção voltadas à agricultura. Além disso, o coordenador da Cati, João Brunelli Júnior, e o engenheiro agrônomo José Augusto Maiorano, diretor da Regional Campinas, serão moderadores de palestras do “AgroFórum”, que serão ministradas no primeiro dia da AgriFutura. Conheça as ações que serão apresentadas no estande do órgão.

Tecnologia contribui para a realização do Censo Rural Paulista

Para realizar, em 2017, o Levantamento Censitário das Unidades de Produção Agropecuária, um Censo Rural Paulista, em 324 mil propriedades rurais, técnicos da instituição utilizaram o Personal Digital Assistent (PDA), um microcomputador de bolso.

A ferramenta possibilitou que as informações, antes preenchidas manualmente, fossem feitas de modo digital, otimizando o trabalho da equipe. Além das funções de um computador, o aparelho possui GPS de navegação e uma câmera fotográfica com georreferenciamento, que pode auxiliar o mapeamento de áreas rurais.

Para que o PDA funcionasse adequadamente, um software específico foi desenvolvido por profissionais da área de informática da Cati e do Instituto de 

Economia Agrícola (IEA), órgão também vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento. Os servidores foram capacitados a utilizar a nova tecnologia e não mostraram dificuldade para captar e transferir os dados coletados.

Software realiza o diagnóstico da composição nutricional da atemoia

Os produtores de frutas poderão conhecer um software que faz o diagnóstico da composição nutricional da atemoia, tendo como base a análise foliar. Batizada de CND (em português, Diagnóstico da Composição Nutricional), a ferramenta foi desenvolvida com a união de esforços de pesquisadores, extensionistas, produtores rurais e universidades.

Estiveram integrados a Cati, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Registro, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Associação Paulista dos Produtores de Caqui (APPC) de Pilar do Sul, município vinculado à Regional Itapetininga. O desenvolvimento do software teve início com trabalhos em campo nas safras dos anos agrícolas de 2013-2014, 2014-2015 e 2015-2016.

“A utilização do programa é simples e prática, sendo necessário apenas ter em mão a análise foliar da cultura. Um dos resultados dessa ferramenta é a produção de frutos de melhor qualidade”, avalia Danilo Eduardo Rozane, engenheiro agrônomo da Unesp em Registro e coordenador do software. “A atividade citrícola exige, para a efetiva permanência do empresário agrícola no campo, o emprego de todas as ferramentas e inovações tecnológicas disponíveis que possibilitem a obtenção de elevada produtividade, com redução de custos e minimização de riscos de contaminação do ambiente”, acrescenta.

O consultor técnico da Cati Regional Itapetininga, engenheiro agrônomo Luiz Carlos de Carvalho Leitão, afirmou que a ferramenta é um marco histórico na cultura da atemoia, uma vez que inexistiam recomendações de adubação específicas para a cultura. “Essa deficiência obrigou os fruticultores a nutrir as plantas de forma empírica, o que levou a muitas distorções como, por exemplo, o gasto excessivo de fertilizantes, especialmente fósforo”, explica.

O produtor de atemoia José Carlos Vieira Pinheiro, administrador do Sítio Paineiras do Irati, em Itapetininga, comentou que, atualmente, o produtor rural tem que se profissionalizar, utilizando todas as ferramentas disponíveis. “O CND-Atemoia, além de gratuito, é inovador na forma de aprendermos sobre as plantas. A análise de solo, por exemplo, diz o que o que há na terra e esse software nos mostra o que a planta está precisando. Vou utilizar, com certeza”, afirmou o produtor.

Inovação com tratamento natural de sementes em escala comercial

A agricultura em harmonia com o meio ambiente é uma das diretrizes da Secretaria de Agricultura e Abastecimento para o Estado de São Paulo. Cumprindo o papel de promotora do desenvolvimento rural sustentável, a Cati busca adotar e incentivar novas tecnologias que garantam produtividade e renda ao agricultor, com conservação ambiental.

Durante o AgriFutura, os visitantes poderão conhecer uma dessas inovações: a terra diatomácea – produto mineral que funciona como defensivo natural, em substituição ao tratamento químico. Testado e implantado pelo Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes (DSMM) do órgão, o uso da terra diatomácea nas variedades de milho está aprovado. “O tratamento em escala de sementes é uma ação pioneira no Brasil e os resultados têm sido excelentes. As grandes empresas produtoras de sementes utilizam majoritariamente o tratamento químico”, avalia Ricardo Lorenzini, diretor do DSMM.

A substituição do tratamento químico convencional pelo tratamento com a terra diatomácea traz inúmeras vantagens: maior período residual do produto para controle dos insetos-pragas, segurança no trabalho para os colaboradores, segurança alimentar para os consumidores e preservação do meio ambiente. “O produto é aplicado às sementes armazenadas e o pó adere aos insetos-pragas: carunchos, gorgulhos, besouros e traças. A sílica tem capacidade de desidratá-los, matando-os em período variável de um a sete dias, dependendo da espécie”, explica o engenheiro agrônomo Márcio Mondini, diretor do Núcleo de Produção de Sementes de Paraguaçu Paulista e responsável pelo projeto-piloto desse tratamento.

Outro grande benefício é o fato de que pode ser utilizada na agricultura orgânica, visto que a terra diatomácea é um produto aceito por todas as certificadoras que auditam e fiscalizam propriedades rurais e empresas de produção orgânica. Atualmente, representa o único produto permitido que controla com eficácia os insetos-pragas de grãos e sementes armazenadas, possibilitando ao produtor orgânico armazenar o item por mais tempo.

Micropropagação de mudas in vitro

Uma das ações realizadas também pelo DSMM da Cati é a produção das matrizes de mudas, em laboratório, feita via micropropagação, um conjunto de técnicas que permite que as plantas sejam desenvolvidas in vitro, com padrão de qualidade, ausência de vírus, fungos e bactérias. Os vidros estarão expostos no estande da Cati no AgriFutura, para que os visitantes conheçam o processo e esclareçam dúvidas.

“A matriz que produzimos em laboratório é o início de tudo. Ela é a planta que dará origem à muda, que, por sua vez, produzirá a fruta. Matrizes de qualidade são os alicerces da produção”, informa Ricardo Lorenzini, diretor do DSMM, complementando que cada matriz pode dar origem de 500 a mil mudas. Além da qualidade da matriz, que apresenta uniformidade e vigor, a cultura in vitro permite a produção em massa, em qualquer época do ano, independentemente das condições climáticas. Dessa forma, os produtores de mudas poderão ser atendidos sem interrupção e oferecer produtos de qualidade ao mercado.

Em janeiro deste ano, foi inaugurado, em Tietê, o novo Laboratório de Micropropagação de Mudas, pertencente ao DSMM. O nível de excelência das instalações e dos maquinários instalados, em um espaço de 275m², assegura todos os cuidados sanitários e fisiológicos que garantem um sistema de micropropagação eficiente e de elevada qualidade com economicidade. Isso resulta na melhora da qualidade do morango com menor uso de agroquímicos, beneficiando os consumidores.

O laboratório está apto à produção anual de 100 mil plantas matrizes de morangueiro, possibilitando o atendimento para mais de 40 produtores de mudas da espécie no Estado. Outras espécies, como a banana e a mandioca, por exemplo, também poderão ser ali multiplicadas com a mesma qualidade genética e sanitária.

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