24 de outubro de 2019

Como o filme do Coringa se transformou em estudo sobre a mente humana

O longa "Coringa", que levou 6,5 milhões de brasileiros aos cinemas e arrecadou R$ 105 milhões nas bilheterias do Brasil, não é um filme fácil de digerir. Ambientado nos anos 1980, o filme mostra a transformação do esquisito, azarado e perturbado Arthur Fleck, apelidado de Feliz pela mãe, de aspirante a comediante de stand up em um assassino cruel. O filme conta a origem do personagem sombrio e sua entrada para o mundo do crime.

Dirigido por Todd Phillips, a mais recente incursão do icônico personagem dos quadrinhos no cinema, com Joaquin Phoenix no papel do vilão do universo de Batman, estreou no dia 3 de outubro e já faturou o Leão de Ouro do festival de cinema mais antigo do mundo, o de Veneza. Elogiado, ele também tem sido criticado por supostamente incentivar a violência e tem gerado um acalorado debate por deixar os cinéfilos desconfortáveis ao mostrar um homem lutando para se integrar à sociedade despedaçada de Gotham City. Ele é doente mental? É assassino? É vítima da sociedade? Ou simplesmente é o retrato do mal?

O filme começa mostrando Arthur Fleck em uma sessão de terapia. "É impressão minha ou mundo está mais maluco?", questiona. Na sequência, o rapaz pede mais medicamentos para não se sentir mal mais (o seu tratamento já inclui sete tipos diferentes de medicamento). Trabalhando como palhaço durante o dia, Arthur Fleck nutre o sonho de ser um grande nome da comédia stand up, mora com a mãe doente em um pequeno apartamento na periferia, onde o lixo, ratos e pichações se acumulam nas ruas, e tem uma risada descontrolada, causada por um problema de saúde.