8 de novembro de 2020

Estiagem reduziu o nível do rio Grande em Guaraci e fez ressurgir estrada boiadeira


A ponte, caminho de pedra, agora passa peixe onde antes passava boiada. A ponte, caminho de pedra, miragem na página do tempo. Brotou do fundo do Grande. Do rio submergiu outra vez um pedaço da nossa história. Caminho que passava boi, que passava boiada, tropas e peões. Dos cascos dos cuiabanos levantava a poeira, pó que foi pro mundo das águas. Trocou pasto por algas e cardumes. Trocou o som do berrante pelo som do vento que faz a água dançar ao sabor das marés. Veio à tona, com a estiagem recente, paisagem que é, ela própria, uma ponte entre o passado e presente. Feito de pedra, feito o leito no qual se fundiu o sertão com a cidade.

O fenômeno curioso que tem atraído turistas para lá ocorre em Guaraci, onde um trecho do rio Grande submerso pelas águas que formaram o reservatório da Usina Hidrelétrica de Marimbondo ressurgiram devido ao longo período de estiagem. O nível da água baixou tanto que fez revelar uma ponte construída na década de 1950 que era utilizada para passagem do gado que saía de Minas Gerais com destino a Barretos. Segundo moradores e pescadores, é a primeira vez em 46 anos que a estrutura da antiga estrada boiadeira ca visível. Com o leito mais baixo é possível notar detalhes da estrutura de pedra e madeira que servia para a travessia das comitivas e restos de outras construções que durante muitos anos permaneceram submersos. Guaraci foi o segundo município paulista a ter áreas alagadas por usinas hidrelétricas. O local onde a ponte ressurgiu foi alagado no ano de 1975. Atualmente, o nível do rio Grande está em 7,61%, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), índice mais baixo dos últimos dez anos. A redução contrasta com os números relacionados a Marimbondo, que integra o sistema Furnas. Tudo que envolve o projeto é superlativo. As obras inundaram uma área total de 438 quilômetros quadrados. Seu volume total é 6,150 bilhões de metros cúbicos e o volume útil, aquele que pode ser utilizado para geração elétrica, é de 5,26 bilhões de metros cúbicos.