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9 de agosto de 2021

Museu da Imagem e do Som é Inaugurado em Rio Preto.


Músico, videomaker e entusiasta da história rio-pretense, Fernando Marques traz fresco na memória a lembrança das primeiras peças que conquistou para dar início ao acervo do Museu da Imagem e do Som de Rio Preto, o MIS Rio Preto, um projeto que vem sendo desenvolvido por ele há cerca de três décadas. 
Nos anos 1970, o fotógrafo e cinegrafista Nelson Marques Alves, o saudoso Muca, repassou ao filho todos os equipamentos que usava profissionalmente, entre eles câmeras e projetores. Com eles, Fernando chegou a produzir seu primeiro curta em 1979, “Breu”, que venceu um festival em Brasília e rendeu ao rio-pretense alguns dias de prisão por criticar governos fascistas em plena ditadura militar.

De lá pra cá, Fernando tem acumulado um generoso material que conta um pouco da história do audiovisual e de Rio Preto. E, neste sábado, 7, esse acervo ganha exposição permanente com a inauguração do MIS Rio Preto. O novo museu rio-pretense, cujo projeto é se tornar uma fundação, para que seu acervo pertença à comunidade, ocupa o espaço de um imóvel de Alaur Pereira, nome que marca o desenvolvimento do saneamento básico em Rio Preto. O local foi cedido por sua filha, a educadora Maria Emília, namorada de Fernando, que será responsável por um bistrô que funcionará junto ao museu

A proposta é conceber um museu dinâmico, que abrigue exposições, palestras e encontros, dialogando com artistas e educadores de Rio Preto. Além das salas de exposição, há um espaço aberto, sob uma frondosa mangueira, dedicado a essas atividades. “Queremos que o MIS Rio Preto seja ocupado pelos artistas e pela comunidade”, sinaliza ele, que inaugura um museu justamente num momento em que a memória do audiovisual brasileiro sofreu um trágico golpe com o incêndio que atingiu um galpão da Cinemateca de São Paulo na semana passada. “A ficha ainda não caiu. E saber que parte da memória do audiovisual rio-pretense também está lá, na Cinemateca. É algo muito triste.”

Para Fernando, a comunidade rio-pretense nunca deu valor à memória da cidade, algo que ele pretende reverter com o MIS Rio Preto. “Essa é a minha colaboração para preservar a história de Rio Preto, assim como seu Jesualdo D'Oliveira fez em Mirassol”, destaca.