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2 de agosto de 2021

Pirarucu invade Rio Grande (SP) e se torna uma ameaça ambiental.


Durante sete meses a equipe do Terra da Gente circulou pela região entre algumas barragens do Rio Grande, próximo a Cardoso, na divisa entre São Paulo e Minas Gerais. O objetivo foi revelar um problema grave que precisa de solução: a invasão do pirarucu, que é uma ameaça aos peixes nativos e a toda biodiversidade aquática da região, já muito afetada pelas dezenas de barragens em sua extensão.

Riscos do Pirarucu em São Paulo
O perigo da espécie se espalhar ainda mais caso ultrapasse a barragem de Marimbondo
A voracidade. Ele precisa de 10 quilos de peixe por dia para se alimentar
A ameaça à desova de espécies nativas
A situação encontrada
Muitos peixes grandes e vários registros de ‘brigas’ com pescadores profissionais e esportivos
Pesca do filhote de pirarucu para venda a pesqueiros
Diminuição de peixes nativos

O pirarucu é o maior peixe de escamas de água doce do mundo. Pode passar dos 200 quilos e medir até três metros de comprimento. Basicamente ele se alimenta de peixes, mas pode comer até pequenos roedores, serpentes ou aves que caiam na água.
Mas como um peixe amazônico foi parar no interior de São Paulo? “Tinha um criador de pirarucu aqui e num período chuvoso, transbordou a represa dele. Ele tinha umas 180 matrizes de pirarucu. Os peixes desceram tudo para o rio, que é a represa nossa do Rio Grande e foram povoando. Hoje, a quantidade é imensa, por onde você navega você vê pirarucu”, conta o pescador e guia Odair Camargo, que reproduz a história que mais se ouve na região para justificar o problema.

Quem fisga o gigante garante que a carne dele é saborosa (como não é nativo o pescador pode levar o peixe para a casa). Porém o comércio do filé ainda não está tão aquecido na região. Já os filhotes têm um outro destino: os pesqueiros, interessados nos peixes pequenos e vivos para povoar lagos, já que conseguir um indivíduo dessa espécie é coisa rara, uma vez que a reprodução do pirarucu não ocorre em laboratório. Alguns pescadores locais têm conseguido bons lucros com esse tipo de pescaria.

O pesquisador Jean Vitule, do Laboratório de Ecologia e Conservação, da Universidade Federal do Paraná acompanhou a equipe do TG durante a investigação de toda essa situação. Ele explicou detalhes da respiração do animal, sua misteriosa reprodução e o quanto ele pode ser perigoso para um ecossistema do qual ele não faz parte.