Olímpia mira resort com cassino e investimento de R$ 2 bilhões


Olímpia deu o primeiro passo para disputar um dos futuros resorts integrados a cassinos no Brasil, com potencial de atrair até R$ 2 bilhões em investimento privado para hotelaria de alto padrão, centro de convenções, gastronomia, varejo e entretenimento regulamentado.

A operação de cassino, porém, só poderá avançar se o Congresso Nacional aprovar a regulamentação dos jogos no país. Sem a nova lei federal, o projeto local fica restrito ao planejamento e à estruturação jurídica, técnica e econômica.

Edital abre conversa com investidores

O instrumento escolhido foi o Diálogo Competitivo, modalidade prevista na nova Lei de Licitações para contratos complexos. A etapa permite que o poder público ouça empresas interessadas antes de definir o modelo final da concessão.

O Edital de Pré-Seleção nº 01/2026 abre a primeira fase do processo. A regulamentação municipal foi feita pelo Decreto nº 9.890/2026, que organizou as etapas de pré-seleção, diálogo e proposta competitiva.

Projeto depende de decisão em Brasília

A base local foi criada pela Lei Municipal nº 5.098/2025, sancionada em maio do ano passado. A norma autoriza a concessão de serviços turísticos vinculados a jogos regulamentados, mas condiciona qualquer avanço à aprovação da legislação federal.

O PL 2.234/2022, que trata da legalização de cassinos, bingos, jogo do bicho e apostas em corridas de cavalos, já passou pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Desde então, aguarda votação em Plenário.

A proposta chegou a entrar na pauta do Senado em dezembro de 2024 e em julho de 2025, mas foi retirada nas duas ocasiões.

Prefeitura quer chegar antes à disputa

A estratégia de Olímpia é preparar o município antes da definição nacional. A ideia é chegar ao mercado com lei local, estudo preliminar e modelo de concessão em construção.

“Olímpia é hoje um dos principais destinos turísticos do país. Estamos preparando a cidade para o próximo ciclo, com foco em investimentos internacionais, grandes eventos, tecnologia e geração de empregos qualificados. Se o Congresso aprovar a regulamentação, queremos chegar à disputa preparados, com base legal e planejamento sólido. Quem espera a lei sair para se organizar vai chegar tarde”, afirmou o prefeito Geninho Zuliani.

O procedimento será conduzido por uma Comissão de Contratação multidisciplinar, com representantes das áreas de Governo, Planejamento, Turismo, Gestão, Cidade Inteligente, Inovação, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico Sustentável.

Modelo mira Singapura, não Las Vegas

A referência do projeto é o modelo de resort integrado adotado em Singapura. Nesse formato, o cassino é apenas uma parte de um complexo maior, com hotelaria premium, centro de convenções, gastronomia, compras, eventos e regras rígidas de controle.

A aposta da cidade é usar sua força turística para atrair grupos nacionais e internacionais interessados em empreendimentos de grande porte.

Olímpia recebe cerca de 5 milhões de visitantes por ano, tem aproximadamente 34 mil leitos e abriga dois parques aquáticos de projeção internacional: Thermas dos Laranjais e Hot Beach.

Aeroporto reforça estratégia turística

O projeto também se conecta ao avanço do Aeroporto Internacional do Norte Paulista, em tramitação em Brasília. A estrutura é apontada como peça estratégica para ampliar o alcance turístico da cidade e atrair eventos de maior porte.

A capacidade projetada é de até 1 milhão de passageiros por ano, com operação prevista para 2027.

Se a regulamentação federal avançar, Olímpia quer se posicionar como plataforma de turismo, convenções e entretenimento no interior paulista.
Fonte: Diário de Olímpia
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